Muitos pensam que a preocupação com a aparência é um tema atual, porém isso está presente desde o início da nossa civilização.
Nesse tópico você descobrirá que o ser humano já usava diferentes técnicas estéticas e cosméticas desde a Pré-História.
Evidências dessa época indicam que itens de maquiagem, incluindo lápis de cor, eram utilizados para pintar o rosto e o corpo nas primeiras formas de ritual da cultura humana. Apesar do objetivo principal não ser a melhora do aspecto físico, e sim agradar deuses e espantar maus espíritos, este é o primeiro relato de uso de maquiagem na história (POWER, 2004; WATTS, 2010).
Com relação às civilizações da Antiguidade, estudos arqueológicos mostraram que cosméticos eram parte integrante da higiene e da saúde no Egito Antigo. Exemplo disso é o uso de bálsamos, cremes para a pele feitos de cera de abelha e azeite de oliva. Além disso, substâncias para fazer perfumes, como mirra, melancia, olíbano, menta e alecrim eram muito utilizadas pelos egípcios (BAYER, 1993; SCHNEIDER et al., 2001).
# O conceito de abrasão da pele, ou seja, a remoção das camadas superiores para o rejuvenescimento, já era usado no Egito Antigo por meio de um tipo de lixa para suavizar as cicatrizes. Outros artifícios utilizados eram banhos de leite azedo e óleos de frutas para renovação da pele (D’ANGELO; LOTZ; DEITZ, 2001). #
Cleópatra e Nefertiti:
Dois símbolos de beleza da Era Antiga
Cleópatra, uma das mais famosas governantes do Egito, raramente foi vista em público sem maquiagem, incluindo batom, sombra, sobrancelhas escuras e cílios achatados.
Ela foi uma das primeiras mulheres a utilizar alguns produtos com finalidades cosméticas, por exemplo, a cera à base de mel para depilação. Nefertiti, por sua vez, é um ícone de beleza não só da Antiguidade, mas ainda nos dias de hoje, por apresentar um rosto extremamente simétrico (EL-TONSY; EL-DIN; KAMAL, 2014).
# Simetria facial é considerada uma característica importante na beleza. Quanto mais simétrico for o rosto, mais bela é considerada a pessoa (JONES et al., 2001) #
Com relação aos povos asiáticos, segundo Jianying (2011), os chineses e os japoneses geralmente usavam pó de arroz para deixar seus rostos brancos. As sobrancelhas eram raspadas, os dentes pintados com ouro ou na cor preta e, por fim, a henna era usada na pintura dos cabelos e dos rostos.
De acordo com Kury, Hargreaves e Valença (2000), na Idade Média, ao contrário do que muitos pensam, também existia uma preocupação com a estética. Apesar de a Igreja condenar o uso da maquiagem, os cosméticos continuavam sendo utilizados. Os rostos pálidos foram uma tendência durante esse período (KURY; HARGREAVES; VALENÇA, 2000).
Com a Renascença, no início da Idade Moderna, a preocupação com a estética tornou-se ainda mais evidente. Nessa fase, cosméticos e fragrâncias eram usados em abundância, além de joias e perucas. Se verificarmos as obras de arte dessa época, conseguimos perceber que as mulheres representadas nas pinturas apresentam contornos curvilíneos e pele alva. Um exemplo disso é a famosa pintura de Sandro Botticelli, O Nascimento de Vênus. (BAYER, 1993; D’ANGELO; LOTZ; DEITZ, 2001; SUENAGA et al., 2012).
Segundo Gubar (2000), durante essa época, havia a obsessão com a pele alva. As mulheres europeias muitas vezes tentavam deixar a pele mais branca usando uma variedade de produtos, incluindo tinta de chumbo branco. A rainha Elizabeth I da Inglaterra criou uma aparência conhecida como “a máscara da juventude” (GUBAR, 2000).
Segundo Kury, Hargreaves e Valença (2000), com o início da Idade Contemporânea e a Revolução Industrial, os cosméticos ficaram mais acessíveis à população devido à produção em larga escala – antigamente seu uso era restrito a classes sociais mais altas.
No início do século XX surgiram aparelhos e técnicas estéticas que são utilizadas até os dias de hoje. Aqui destacamos os anos 30, período de surgimento de aparelhos de alta frequência e da técnica de drenagem linfática, desenvolvida por Emílio Vodder. Além disso, nos anos 50, surgiu a técnica de iontoforese, permitindo a permeação de ativos cosméticos (FAÇANHA, 2003; SCHMITZ; LAURENTINO; MACHADO, 2010; WINTER, 2001).
No fim do século XX, o desenvolvimento científico auxiliou a área da estética a melhorar e adaptar protocolos com a utilização, por exemplo, de princípios ativos mais potentes e aparelhos eletroestéticos aprimorados, que estão em constante evolução (VIGARELLO, 2006).
**(A iontoforese é uma técnica terapêutica não invasiva que utiliza uma corrente elétrica de baixa intensidade (geralmente [corrente galvânica]) para introduzir substâncias ativas ou medicamentos ionizados através da pele. É amplamente usada para administrar fármacos de forma localizada, tratar hiperidrose (suor excessivo), inflamações e em tratamentos estéticos, agindo como uma "ambulância elétrica" para direcionar ativos)**
Com o início do século XXI, o desenvolvimento científico aumentou ainda mais e estamos passando por uma grande revolução tecnológica. Um dos avanços na área da estética é o uso de nanocosméticos (nano significa pequeno, reduzido), que melhoraram a permeação de princípios ativos pela pele. Além disso, os equipamentos eletroestéticos estão ficando cada vez mais sofisticados.
Hoje conseguimos tratar mais de uma disfunção estética usando o mesmo equipamento (SUENAGA, et al., 2012, SCHMITZ; LAURENTINO; MACHADO, 2010). Nesse tópico, você conheceu os diferentes relatos históricos sobre estética. Ficou claro que este tema não é um assunto atual e sempre esteve presente no nosso cotidiano.
# No Brasil, a prática da estética teve início na década de 1950 por meio de Anne Marie Klotz, nascida em Natal, Rio Grande do Norte, e filha de franceses. A família retornou à França, onde Anne aprendeu sobre estética e cosmetologia. Após anos no exterior, ela decidiu voltar ao Brasil e começou a aplicar as técnicas aqui, atendendo amigos em domicílio. Em pouco tempo, tornou-se um sucesso e abriu a primeira escola brasileira de formação de esteticistas (WINTER, 2001). #
A preocupação com a aparência física e com a beleza não é um tema atual. Na história mundial, vários padrões de beleza foram criados e modificados em diferentes épocas. Para atingir o padrão, as pessoas utilizam-se de artifícios como técnicas de estética e usos de cosméticos.
Mas qual seria o motivo dessa preocupação com a aparência? É exatamente isso que você verá nesse tópico. A preocupação com a estética é um assunto mundial, mas há países que consomem de forma muito significativa procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos.
O Brasil, por exemplo, é o segundo país que mais realiza procedimentos estéticos, perdendo apenas para os Estados Unidos(INTERNATIONAL SURVEY ON AESTHETIC, 2015).
Para compreender este tópico, devemos relembrar o conceito de seleção natural, teoria proposta por Charles Darwin, que diz que características favoráveis a determinado ambiente tendem a ser passadas para os descendentes (DARWIN; BEER, 2008).
Charles Darwin foi um cientista britânico e escritor do livro Origem das Espécies, no qual mostrou evidências da ocorrência da evolução por meio da seleção natural (DARWIN; BEER, 2008). Com a definição de seleção natural, conseguimos entender o conceito de seleção sexual, que servirá como base para identificar os motivos pelos quais os seres humanos são extremamente preocupados com a aparência.
A seleção sexual diz respeito às características reprodutivas vantajosas; ou seja, os indivíduos que possuem características que despertam o interesse do outro sexo são escolhidos para a reprodução (DARWIN, [1871]).
Um exemplo de seleção sexual é a plumagem colorida da cauda de pavões, usada para atrair as fêmeas. A fêmea do pavão desejará copular com o macho mais atraente, já que os machos de sua prole também serão atraentes para as fêmeas da próxima geração (DARWIN, [1871]). Apesar de sermos considerados seres racionais, diferente de outros seres vivos, esse comportamento ainda é primitivo. Obviamente, não é só isso que define a base das relações humanas, mas é fato que pessoas consideradas bonitas chamam mais a atenção do que outras. Nesse tópico, abordamos esse tema para que você possa entender o quanto a aparência é importante para todos os seres vivos (DARWIN, [1871]).
A seguinte frase do dermatologista Samuel Jessner, do ano de 1907, resume a preocupação do ser humano com a estética: “Quem conhece o mundo, quem sabe como a aparência é valorizada a ponto da aparência da sua pele poder prejudicar a vida social de alguém, entenderá que as disfunções estéticas são muitas vezes mais sérias que doenças mais graves” (LOCHER, 2016).
A evolução da estética transita entre dois caminhos: o conceito filosófico (estudo do belo e da arte) e a prática cosmética/tecnológica (cuidados com a beleza e o corpo). Desde a Antiguidade até os dias atuais, os padrões e as tecnologias transformaram radicalmente a forma como a humanidade enxerga o corpo.
1. Antiguidade e a Era Clássica
Egito Antigo: A estética estava ligada à espiritualidade, status social e rituais. Maquiagens marcantes (como o kohl nos olhos) eram usadas tanto para beleza quanto para proteção contra doenças oculares e o sol.
Grécia Antiga: Berço da estética como filosofia e ideal de beleza. O belo era sinônimo de simetria, harmonia matemática e proporção. Filósofos como Platão e Aristóteles discutiam a essência da percepção visual e a busca pela perfeição.
2. Idade Média e Renascimento
Idade Média: A beleza foi fortemente influenciada por valores morais e religiosos. O ideal feminino de pureza era representado por rostos pálidos e testas altas, escondendo traços carnais.
Renascimento: Resgatou os conceitos de proporção e anatomia clássicos da Grécia e Roma. Corpos mais volumosos e formas arredondadas passaram a simbolizar saúde e riqueza.
3. Século XIX e XX:
A Era Moderna da Estética
Surgimento Comercial: No século XIX, a maquiagem passa a ser produzida em escala industrial, mas com foco inicial na elite e uso ainda considerado restrito.
O Boom do Século XX: A popularização do cinema e, posteriormente, da televisão criou os "padrões globais de beleza". A estética se tornou uma verdadeira indústria:
Anos 50: Valorização das curvas (estilo Marilyn Monroe).
Anos 60/70: Corpo magro e andrógino.
Anos 80: Foco no culto ao corpo atlético e à juventude.
4. A Estética no Brasil
A profissionalização da área no Brasil começou a se consolidar por volta dos anos 1950, com a introdução de escolas especializadas. A prática evoluiu do aspecto doméstico e empírico para uma formação técnica e científica formal, impulsionada pelo SENAC e cursos superiores.
5. A Contemporaneidade:
Alta Tecnologia e Individualidade
A partir dos anos 2000, o mercado foi revolucionado pelo avanço da biotecnologia e nanotecnologia. A era digital e a exposição nas redes sociais criaram a busca por procedimentos menos invasivos e de rápida recuperação. Hoje, o mercado da estética foca em:
Harmonia e Individualidade: Em vez de padronizar rostos, busca-se realçar os traços naturais e a essência única de cada indivíduo.
Tecnologia de Ponta: O uso de lasers, ultrassom microfocado, bioestimuladores de colágeno e radiofrequência possibilita tratamentos preventivos e rejuvenescedores de alta precisagem.
Saúde Integrativa: A estética moderna está cada vez mais associada ao bem-estar geral, saúde da pele e longevidade.